É,
sem sombra de dúvida, o mais intrigante dos Estaduais.
Aquele que, menos temos informações ou dados
estatísticos. Em uma das primeiras edições
de Placar, foi publicada uma matéria onde podemos
verificar os vencedores dos campeonatos de 1969 a 1971.
No site do BV Roraima, jornal virtual local, em 2003 foi
dito: “Despertado pelo interesse em recontar a história
do futebol roraimense, a equipe BV Roraima pesquisou e
encontrou em acervo particular uma parte da história
do futebol roraimense através de matérias
publicadas em jornais dos anos 50, 60, 70, entre outros”.
Pouco a pouco a equipe publicará textos transcritos
de publicações da época que registraram
os primeiros grandes clássicos do nosso futebol.
Juntando os “cacos”, aqui apresentaremos um
breve histórico do futebol em Roraima.
As primeiras famílias foram responsáveis
pela criação dos primeiros clubes de futebol
desta região. O convívio social, a amizade
entre os habitantes, logo passaram a incentivar as disputas
esportivas. Vindo de outras áreas, muitos destes
pioneiros estudavam e praticavam esportes, principalmente
o futebol e o basquetebol.
Assim, surgiram os primeiros clubes de futebol.
A Federação Riobranquense de Desportos
No dia 1º de outubro de 1944, aconteceu a fundação
do Atlético Roraima. Dos clubes existentes, é
o mais antigo nos dias de hoje. Seu fundador foi Adolfo
Brasil, que contou com a colaboração de
diversos amigos como Peri e Dorval Magalhães, Ibrahim
e Felipe Xaud, dentre outros amigos comerciantes. O Atlético
Roraima também era chamado de “Clube dos
Milionários” porque todos os seus sócios
proprietários eram fazendeiros e comerciantes de
renome cidade de Boa Vista.
O Baré surgiu de uma dissidência de sócios
do Atlético Roraima, em 26 de outubro de 1946.
Esses sócios foram Aquilino Mota Duarte, Aristante
Gonçalves Leite, Carmélio, Dr. Rinaldes,
Jorge Fraxe, Mário Abdala e Roberto Aiad.
Com o surgimento dos primeiros clubes, fez-se necessária
a criação de uma entidade que coordenasse
essas agremiações em suas disputas locais.
No dia 23 de julho de 1948, foi fundada a Federação
Riobranquense de Desportos. O primeiro campo de futebol
foi feito nas proximidades onde hoje se encontra o Hotel
Aipana no Centro Cívico, além de Atlético
Roraima, Parima e Baré, o campo era constantemente
utilizado como “pelada” pelos moradores que
geralmente jogavam pelos clubes.
Outros campos vieram depois. O campo localizado onde hoje
funciona o Colégio Oswaldo Cruz era palco, principalmente,
para clubes hoje extintos como Amazônia (Amazonas),
Rio Branco, Bangu, Flamengo e Operário.
O velho João Mineiro, herói quase anônimo,
mestre de obras que trabalhou de graça e fez o
1º estádio por sua conta e o esforço
de seus funcionários, principalmente, jogadores
de seu clube o “Operário”.
Depois, ganhou o nome do estádio, que existiu onde
hoje fica a Maternidade Nossa Senhora de Nazaré.
Somente um portal solitário na praça “João
Mineiro”, simboliza as lembranças de uma
praça de esporte que foi palco dos melhores momentos
do futebol roraimense.
O mestre de obras João Mineiro é considerado
por muitos como um dos maiores desportistas que Roraima
conheceu, pois não só construiu um estádio
e montou um time de operários, como também
mandava buscar operários ?bons? que jogavam futebol
para reforçar os outros times.
Roraima no mapa das competições
Em 1952 acontece a primeira participação
da Seleção, ainda de Rio Branco, no Campeonato
Brasileiro de Seleções, promovido pela Confederação
Brasileira de Desportos a CBD.
O ex-território não passou da primeira rodada.
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No primeiro jogo, em 10 de fevereiro de 1952, no Estádio
Municipal de Boa Vista, foi goleado pela Seleção
do Amazonas, por 5 x 2. Aderaldo e Genner marcaram os gols
roraimenses. Uma semana depois, agora em Manaus, nova goleada,
pelo marcador de 4 x 1. Voltou a participar do Campeonato
Brasileiro de Seleções no ano de 1954, quando
comemorou sua primeira vitória e quase apronta para
cima da seleção do Mato Grosso. No primeiro
jogo, no Estádio Presidente Vargas, em Cuiabá,
perdeu por apertados 3 x 2. A primeira vitória na
competição aconteceria no dia 24 de janeiro
de 1954, em Boa Vista, com vitória de 2 x 1. Na prorrogação,
aconteceu a desclassificação, após
a vitória de Mato Grosso por 1 x 0.
Ainda em 1954, esse mesmo selecionado, orientado por Rinaldi
Maya, realizou três encontros internacionais com a
seleção da Guiana Inglesa, em disputa da taça
de prata “Art Williams”, instituída pelo
coronel Williams, residente em Georgetown. A representação
de Rio Branco venceu as três partidas, por 1 x 0,
3 x 1 e 3 x 1, utilizando os seguintes jogadores: Zé
Maria (goleiro), Chico Santos, Sabá, Salomão,
Mão de Remo, Ribeiro, Cícero, Pará,
Bonates, Raul, Bebeto, Aderaldo, Caveira, Chico, Canhotinho,
Vanderlei e Dermário.
Dois anos depois, 1956, nova desclassificação
na primeira fase do Campeonato Brasileiro de Seleções,
frente ao Amapá, após derrota de 1 x 0 e empate
em 1 x 1.
Em 1959, o Estádio do Parque Amazonense, em Manaus-AM,
foi a sede da Região Norte do Campeonato Brasileiro
de Seleções. Realizou três jogos e perdeu
todos: 1 x 3 Amazonas, 1 x 2 Acre e 1 x 2 Guaporé
(hoje Rondônia).
A última participação no Campeonato
Brasileiro de Seleções aconteceu no ano de
1962, novamente com três jogos no Estádio do
Parque Amazonense, em Manaus. Campanha muito parecida com
a de três anos atrás. Nos dias 11, 14 e 17
de novembro, respectivamente, derrotas para Acre (0 x 3)
e Amazonas (1 x 6) e empate com Guaporé (0 x 0).
O ano de 1975 foi de muita festa para o futebol de Roraima.
Tendo começado sua construção em 1972,
no dia 13 de setembro de 1975, foi inaugurado o principal
estádio de Roraima, o 13 de Setembro, popularmente
chamado de Canarinho, por ser este o bairro de Boa Vista
onde se situa. Foi inaugurado pelo governador do Território
Federal de Roraima, Cel. Aviador Fernando Ramos Pereira.
Também em 1975, aconteceu a primeira edição
do Torneio Integração da Amazônia, no
período de 22 a 29 de julho, e que reuniu clubes
do Acre (Juventus), Amapá (Macapá), Rondônia
(Ferroviário) e Roraima (Baré). O representante
de Roraima foi o último colocado, após duas
derrotas (0 x 2 Ferroviário e 2 x 3 Macapá)
e um empate (1 x 1 Juventus).
Seis equipes do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima
participaram da terceira edição do Torneio
Integração da Amazônia, na cidade de
Macapá-AP, em 1977. O Baré foi o representante
roraimense. Com dois empates com o mesmo placar (1 x 1),
diante de Juventus-AC e Ypiranga-AP, o Baré classificou-se
para as semifinais. Aqui, aconteceu novo empate de 1 x 1
frente ao Moto Clube-RO, perdendo a classificação
nos critérios de desempate do torneio.
O
profissionalismo
O primeiro campeonato profissional de Roraima aconteceu
em 1995. Apenas três clubes participaram, sendo dois
de Boa Vista (Atlético Roraima e Baré) e um
de Mucajaí (Progresso). A primeira partida sob o
novo regime foi realizada em 28 de maio de 1995: Baré
4 x 0 Progresso.
O campeonato foi dividido em três turnos, dois dos
quais vencido pelo Roraima e um pelo Baré. Na final,
realizada em 30 de julho de 1995, o Roraima venceu o Baré,
por 2 x 0.
A Lei nº 198, de 29 de abril de 1998, deu nova denominação
ao Estádio 13 de Setembro ou Canarinho. Passou a
ser oficialmente chamado de Estádio Flamarion Vasconcelos,
uma homenagem póstuma a esse jornalista.
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